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Aguardente: descubra suas surpreendentes virtudes para a saúde e o bem-estar

O aguardente evoca primeiramente as noites colombianas, os copos compartilhados entre amigos e essa sensação de calor anisado que desce pela garganta. Seu nome…

Verre d'aguardiente avec graines d'anis et herbes aromatiques sur une table en bois rustique dans une cuisine colombienne traditionnelle

O aguardente evoca primeiro as noites colombianas, os copos compartilhados entre amigos e essa sensação de calor anizado que desce pela garganta. Seu nome diz tudo: agua ardiente, a água que queima. Por trás dessa reputação festiva, alguns lhe atribuem virtudes para a saúde. A realidade é mais sutil e merece ser analisada com precisão.

Aguardente e saúde: o que a cana-de-açúcar realmente traz

O aguardente é um álcool destilado a partir do suco de cana-de-açúcar, aromatizado com anis. Seu teor alcoólico gira em torno de 29°, o que o coloca abaixo da maioria dos destilados como o uísque ou a vodka. Esse teor mais baixo explica em parte por que às vezes lhe atribuem um perfil mais “suave” para o organismo.

Você já percebeu que os destilados à base de plantas ou de cana-de-açúcar são frequentemente associados a usos tradicionais de saúde? É o caso em várias regiões da América Latina, onde o aguardente há muito tempo serve como base para remédios populares. Folhas, frutas ou cascas eram maceradas para obter preparações supostamente capazes de aliviar diversos males.

Esse patrimônio medicinal não deve fazer esquecer um fato simples: o aguardente continua sendo uma bebida alcoólica, não um medicamento. As propriedades atribuídas às plantas infusas não se transferem automaticamente para o álcool que as contém. Um artigo detalhando os benefícios para a saúde no Blog VIP explora, aliás, essa distinção entre tradição popular e dados verificáveis.

Mulher de meia-idade sorridente segurando uma xícara tradicional de aguardente em um terraço ensolarado de hacienda

Antioxidantes e anis estrelado: os compostos a conhecer

O anis, ingrediente central do aguardente, contém compostos fenólicos reconhecidos por sua atividade antioxidante. Essas moléculas ajudam a neutralizar os radicais livres, envolvidos no envelhecimento celular. Esse mesmo tipo de compostos pode ser encontrado no pastis, ouzo grego ou raki turco.

Concretamente, o anetol (o composto que dá ao anis seu sabor característico) foi objeto de estudos sobre suas propriedades anti-inflamatórias e digestivas. Na fitoterapia, o anis estrelado é utilizado para:

  • Facilitar a digestão após uma refeição rica em gorduras, graças à sua ação carminativa que reduz os inchaços
  • Calmar espasmos digestivos leves, um uso comum na medicina tradicional sul-americana
  • Fornecer antioxidantes naturais que ajudam a proteger as células contra o estresse oxidativo

Essas propriedades vêm do anis, não do álcool. Beber uma infusão de anis estrelado proporciona os mesmos benefícios sem os inconvenientes relacionados ao etanol. Esse é um ponto que os artigos promocionais sobre o aguardente frequentemente esquecem.

Riscos cardiovasculares e anemia: as contraindicações documentadas

O discurso sobre as “virtudes” do aguardente se depara com dados de saúde pública que não podem ser ignorados. Segundo recomendações divulgadas pela Mayo Clinic e pela OMS, mesmo um consumo considerado moderado não é considerado seguro para certos perfis de pacientes.

O aguardente, como todo destilado, pode agravar a hipertensão arterial. O álcool também interfere na absorção de ferro e folato, dois nutrientes necessários para a produção de glóbulos vermelhos. Para pessoas com anemia, uma única dose pode desencadear efeitos indesejados.

Na escala das Américas, uma meta-análise publicada na The Lancet Regional Health em 2023 indica que as mortes por câncer atribuíveis ao álcool dobraram entre 1990 e 2023. Os cânceres em questão afetam, entre outros, o sistema digestivo. Esse fato se aplica a todos os destilados, incluindo o aguardente.

Pessoas em risco: quem deve se abster

Certainas pessoas devem evitar totalmente o aguardente:

  • Pacientes hipertensos, para quem o álcool provoca uma elevação da pressão arterial
  • Pessoas anêmicas, devido à interferência na absorção de ferro
  • Mulheres grávidas, de acordo com as recomendações de saúde internacionais
  • Qualquer pessoa sob tratamento medicamentoso incompatível com o álcool

Para pessoas com risco cardiovascular, o aguardente é desaconselhado, e não recomendado como “tônico”, ao contrário do que sugerem algumas tradições.

Garrafas de aguardente com anis estrelado, canela e ervas medicinais dispostas sobre uma superfície de ardósia em um ambiente de farmácia tradicional

Aguardente artesanal e qualidade dos ingredientes: um fator subestimado

A composição do aguardente varia consideravelmente de acordo com as regiões e os produtores. Na Colômbia, cada departamento produz sua própria marca, com receitas distintas. Algumas versões artesanais utilizam suco de cana fresco e anis estrelado natural, enquanto produções industriais recorrem a aromas sintéticos.

Essa diferença de qualidade conta se você busca se beneficiar dos compostos ativos do anis. Um aguardente artesanal à base de anis natural contém mais anetol do que uma versão aromatizada quimicamente. O paralelo existe com outras bebidas tradicionais: um vinho tinto rico em polifenóis não oferece os mesmos compostos que um vinho industrial padronizado.

Para um apreciador que se interessa tanto pelo sabor quanto pelos compostos presentes em seu copo, a escolha de um aguardente autêntico de qualidade faz uma verdadeira diferença. As versões tradicionais colombianas, destiladas a partir de cana-de-açúcar da região andina, mantêm um perfil aromático mais complexo e uma concentração de óleos importantes de anis mais elevada.

Consumo responsável: o único contexto onde falar de bem-estar faz sentido

Associar aguardente e bem-estar só faz sentido em um contexto muito específico: um consumo ocasional, em pequena quantidade, por uma pessoa saudável. O prazer gustativo, o compartilhamento social e a descoberta de uma tradição autêntica da América Latina contribuem para o bem-estar, mas não é o álcool em si que é responsável por isso.

O bem-estar relacionado ao aguardente é cultural e sensorial, não farmacológico. Apreciar a riqueza anizada de um bom aguardente durante uma viagem à Colômbia, entender sua ligação com o terroir da cana-de-açúcar, compartilhar a experiência de um ritual de degustação: isso é o que justifica o interesse por essa água-de-vida.

Atribuir virtudes terapêuticas a um destilado é um atalho que os dados de saúde atuais não permitem validar. Os compostos interessantes do anis existem, mas outros vetores os trazem sem os riscos associados ao álcool. A melhor maneira de aproveitar o aguardente continua sendo a que os próprios colombianos praticam: com moderação, entre amigos, saboreando o gosto em vez de buscar um remédio.

Aguardente: descubra suas surpreendentes virtudes para a saúde e o bem-estar